O concerto correu muito bem! Os alunos tocaram Com Júbilo as novas músicas, e tivemos a participação de três rappers, um grupo de dança e mímica, uma banda e uma orquestra, todos da Tehillah!!! Este foi o primeiro de uma série de concertos desta temporada.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Julho Musical
12 de Julho
Surpresa!!!
Hoje os alunos da Tehillah reencontraram a querida professora Tirza, depois de quase um ano. A visita estava programada há algum tempo, mas resolvemos fazer uma surpresa aos alunos (que estavam há quase 3 meses sem tocar). Foi emocionante!
Temos muitos planos para este Julho Musical, para que os alunos "desenferrugem" e aprendam algumas coisas novas, com duas semanas intensivas.
Contamos com a ajuda de Deus (vamos orar!) e de quem mais Ele enviar...
Estivemos hoje a organizar o material que recebemos do Banco Musical - cordas, cavaletes, arcos,um violino, uma estante, livros, CDs, partituras e muito mais... Como Deus é bom! Agradecemos muuito a todos que contribuíram.
Surpresa!!!
Hoje os alunos da Tehillah reencontraram a querida professora Tirza, depois de quase um ano. A visita estava programada há algum tempo, mas resolvemos fazer uma surpresa aos alunos (que estavam há quase 3 meses sem tocar). Foi emocionante!
Temos muitos planos para este Julho Musical, para que os alunos "desenferrugem" e aprendam algumas coisas novas, com duas semanas intensivas.
Contamos com a ajuda de Deus (vamos orar!) e de quem mais Ele enviar...
Estivemos hoje a organizar o material que recebemos do Banco Musical - cordas, cavaletes, arcos,um violino, uma estante, livros, CDs, partituras e muito mais... Como Deus é bom! Agradecemos muuito a todos que contribuíram.
sábado, 30 de junho de 2012
Projecto Música que Transforma
PROJETO
MÚSICA QUE TRANSFORMA
A Associação Cultural Dádiva de Deus , apresenta o seu projeto socioeducativo no âmbito da música, ciente da sua responsabilidade social perante Deus e diante da sociedade.
Espera-se, com o desenvolvimento do projeto, uma melhoria gradual, a médio e longo prazo, da realidade cultural do local, bem como, uma transformação moral no caráter das crianças e jovens com total integração no meio em que vivem.
v A quem se destina
O projeto “Música que transforma” não discrimina um público-alvo específico. No entanto, contempla crianças e jovens de classe social baixa.
v Duração
A duração do projeto é por tempo indeterminado, enquanto os objetivos propostos forem alcançados.
v Justificativa
A música, ao longo dos tempos, tem vindo a ser um forte incentivo à reinserção social de crianças e jovens carentes, bem como um excelente instrumento para o desenvolvimento de aptidões.
As comunidades locais ao redor da Escola de Música, são extremamente carentes em vários aspectos, tais como:
- financeiro, onde famílias, com cerca de seis pessoas, sobrevivem com rendas abaixo do salário mínimo (R$ 545,00);
- familiares, de onde surgem adolescentes grávidas, completamente despreparadas para enfrentar a vida; índice de analfabetismo elevado (cerca de 80%);
- conceito moral muito abaixo do desejado;
- habitações precárias e consequente falta de higiene, etc
Temos visto, entretanto, que a música, nessas comunidades, associada ao álcool e à ociosidade, tem sido um canal para a degradação moral e familiar. As crianças, na tenra idade, desenvolvem a sensualidade ao som da música denominada “cultural”. Ao atingirem a puberdade, esse tipo de música desperta o interesse sexual, facilitando o surgimento da gravidez precoce na adolescência e consequentemente, famílias desestruturadas.
Com a rápida integração, o projeto visa transformar a rotina de ociosidade de crianças e jovens, para uma rotina de responsabilidade social, moral e profissional dos mesmos.
Ao lançar uma nota musical no coração de uma criança, o projeto “Música que transforma” visa formar compositores, professores, maestros, instrumentistas, fabricantes de instrumentos, etc., que glorifiquem o criador da música, Deus.
v Objetivos
Geral
Levar a música clássica e popular às comunidades mais carentes e afastadas dos grandes centros urbanos.
Específico
Dar oportunidades saudáveis às crianças e jovens de ocuparem seus tempos livres dedicando-se à música que glorifique a Deus;
Dar oportunidades a professores voluntários na área da música, para que possam desenvolver suas aptidões, servindo os mais carenciados;
Criar uma orquestra de alunos que faça concertos nas comunidades locais e demais;
Ajudar na formação moral e social do aluno
v Conteúdo trabalhado
As disciplinas a serem abordadas serão: Teoria musical (nos seus variados níveis, conforme o desenvolvimento do aluno) e a Prática musical (interação com o instrumento). O assunto central será a música e o instrumento. O aluno aprenderá a conhecer o seu instrumento musical, suas particularidades e aplicabilidades (como e onde melhor usar o instrumento). Aspectos histórico-geográficos da música poderão ser abordados.
v
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Concerto de Angariação de Fundos-sábado 30.6.12- 19h30
Temos todo o prazer de vos convidar para o nosso concerto de angariação de fundos que terá lugar na Quinta da Fonte do Cabeço de Barro(Colares)no próximo sábado, dia 30 de Junho às 19h30. Além de uma pequena apresentação com fotos do projeto Música que transforma, de um agradável concerto ao ar livre de vários pequenos grupos de música de câmara, teremos no final uma leve refeição com um tempo descontraído de convívio.
terça-feira, 19 de junho de 2012
Banco musical
A escola de música Tehillah faz parte do projecto social "Música que Transforma", tem neste Momento cerca de 12 alunos de violino, viola e violoncelo com uma pequena orquestra e pretende alcançar ainda mais crianças e adolescentes da zona. Como o sustento deste projecto é baseado no voluntariado e na partilha, os recursos são poucos e dependem do envolvimento e ajuda de todos os queiram apoiar o projecto. Surgiu então a ideia de fazer uma esta recolha de materiais e acessórios usados que possam ser úteis para uma escola de música de instrumentos de corda.
Gostava de desafiar-vos a ajudar a "aproveitar o que sobra para distribuir onde falta".
Principalmente cordas usadas (violino, viola, violoncelo) podem ser muito úteis e serão de certeza bem aproveitadas enquanto durarem. Mas também qualquer tipo de material didáctico de música, partituras, métodos de ensino, acessórios para instrumentos de corda... etc...
sábado, 24 de março de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
A música na Bíblia e a tradição musical hebraica
Na Bíblia há uma evidente presença de canções populares aparte dos salmos e cânticos cuidadosamente construídos. Algumas são aclamações populares, como "amem", "aleluia", "hossana", que eram cantadas no Templo. Outros exemplos encontram-se nos versículos Salmos 21 17-18; Reis 1 12:16, ou Jeremias 9:19-20. Muitas destas canções possuem um número igual de sílabas em cada meio-verso, e podem ter sido cantadas em ritmo de acordo com as acentuações do texto hebraico. Um bom exemplo é o enigma de Sansão (Juízes 13:14). Do comedor saiu comida... (no original em Hebraico, 3 acentos, 8 sílabas) ...e do forte saiu doçura. (3 acentos, 7 sílabas).
A Salmodia no Templo
Segundo o Talmude a salmodia simples, exemplificada em Êxodo 15, era usada para os três festivais de peregrinação da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, um canto de louvor mais exuberante (melismático) (halila), era usado para os grandes feriado, a salmodia silábica era considerada apropriada para o estudo da Lei e para orações simples individuais e cada tipo de melodia possui um "temperamento" (taam) e altura (hagba qol) próprios, que devem ser respeitados.
Os Salmos
De acordo com a teoria moderna, os salmistas eram poetas-músicos profissionais do Templo. Nos salmos, assim como em toda a antiga poesia semítica, cada verso é dividido em duas partes que se ecoam uma à outra, em rimas de pensamento, num mecanismo conhecido como "parallelismus membrorum". Esta estrutura sugere um cântico em antifonia, ou responsorial, podendo-se distinguir quatro tipos principais: salmodia plana (salmo 46), salmodia responsorial (salmo 67), salmodia antifonal (salmo 102: 20-22) e litanias com refrões (salmo 80, com refrão nos versos 3, 7, 19). Estas estruturas eram recorrentes nos serviços do Templo e sinagoga e, mais tarde, na igreja Cristã. Aparte os salmos, há um número de hinos bíblicos (heróicos ou de louvor) que possuem a mesma estrutura dos salmos. Estes foram retirados das Escrituras ainda antes do cânon do Antigo Testamento ter sido estabelecido. Exemplo são a canção de Débora (Juízes 5), a canção de travessia do Mar Vermelho (Êxodo 15, 1-18) e a Canção de Moisés (Deuteronómio 22. 1-43).
A salmodia antifonal de versos alternados entre dois coros era rematada por uma conclusão chamada Odeka, que consistia na repetição dos mesmos versos. Esta estrutura era utilizada pelo menos deste o século terceiro.
A improvisação no Templo
A improvisação parece não ter desempenhado um papel importante na música vocal do Templo, apesar da sua estrutura musical ser polirítmica. Pouco canto a solo era praticado; o treino rígido dos levitas, conforme descrito por Josefo e fontes rabínicas (cinco anos de aprendizagem precedendo a admissão no coro) deixava pouco espaço para a improvisação espontânea, tendo ainda em conta que grandes salmos e cânticos não poderiam ser cantados em conjunto sem muita repetição musical. Neste aspecto, a música do templo deve ter sido bastante atípica em relação à música do Oriente Médio, na qual a improvisação é geralmente indispensável.
A estrutura da melodia no Templo
A estrutura da melodia do Templo aparenta uma construção sobre tetracordes, e não, como se chegou a assumir, pentatónica; os elementos pentatónicos nos cantos das sinagogas, presentes somente nas orações diárias, as quais foram simplificadas através de séculos de repetição, resultaram da eliminação de notas das antigas melodias de tetracordes. A estrutura melódica era, muito provavelmente, modal.
O acompanhamento instrumental no Templo
O acompanhamento instrumental era provavelmente heterofónico — isto é, meramente duplicando a linha melódica com a possibilidade de alguns embelezamentos melismáticos. Os instrumentos interpretavam partes independentes somente para sinalização: o sacrifício matinal e a prostração dos adoradores eram acompanhados por clamores de trompetes, enquanto os címbalos marcavam o início do canto dos levitas.
A Música nas Sinagogas
A Origem das Sinagogas
A herança natural da salmodia levítica do Templo constituiu o núcleo ao redor do qual o canto da sinagoga se desenvolveu.
A sinagoga, enquanto instituição permanente, tem provavelmente origem no período do cativeiro Babilónico, quando se tornou necessário ter um lugar para adoração e instrução comum no exílio. Após o regresso do Cativeiro, quando a vida religiosa foi reorganizada, especialmente sob a jurisdição de Esdras e seus sucessores, a adoração congregacional, constituída por orações e leituras de secções da Bíblia, desenvolveu-se lado a lado com o reavivamento do culto do Templo em Jerusalém, o que levou à construção de sinagogas.
A sinagoga estava nas mãos dos rabis fariseus, funcionando de maneira mais democrática do que hierárquica, independente de líderes hereditários (saduceus, responsáveis pelo culto no Templo). Não dispunha de qualquer culto sacrificial. Os serviços do Templo eram primariamente acções sagradas, com o sacrifício como principal (ainda que não único) constituinte da adoração. Os serviços na sinagoga, por outro lado, eram dedicados principalmente à récita dos textos sagrados, sendo esta centrada na recitação pública do Pentateuco e outras secções do Antigo Testamento, de maneira ordenada.
A Música Instrumental nas Sinagogas
A música mais antiga praticada na sinagoga foi fundada sobre o mesmo sistema e método prevalecente na orquestra do próprio Templo. Joshua ben Hananiah, que serviu no santuário como membro do coro levítico, disse como os coristas iam em conjunto para a sinagoga vindos da orquestra sob o altar, e assim participavam nos dois serviços. No entanto, após a destruição do Templo, toda a música instrumental, aparte o toque do Shofar, foi excluída do serviço religioso, por um lado devido à hostilidade dos fariseus a tal música, e por outro lado devido ao luto pela terra e pelo Templo destruídos, assim como pelo desaparecimento das funções levíticas, incluindo a provisão de música para o santuário. De acordo com a hierarquia do Templo, os rabis não possuíam nenhuma autoridade sobre o ritual do santuário. Com a sua destruição, assistiu-se a uma época de florescimento do lado dos rabis. Durante os próximos cinco ou seis séculos, os rabis viriam a tecer uma rede de argumentos legais variados (e nem sempre convincentes) a favor da proibição do uso de todos os instrumentos musicais. Esta exclusão dos instrumentos da adoração judaica permaneceu forte por muitos séculos; apenas após a perda de poder político dos rabis, no século XIX, puderam os instrumentos reaparecer na sinagoga (liberal). Não obstante, a política de exclusão permanece em força onde os rabis ortodoxos detêm maior poder, tal como no actual estado de Israel.
A ausência de instrumentos na sinagoga não modificou o sistema das melodias em si mesmas. Estas, segundo ouvidos contemporâneos, eram pouco dignas do próprio termo "melodia", sendo, como as melodias gregas que foram decifradas, inteiramente do carácter de cantilena; ou seja, a récita dependente do ritmo e sequência das palavras do texto ao invés das notas musicais , influenciada pela estrutura sintática da frase ao invés da forma métrica da melodia.
A Cantilena das Escrituras
Ao invés do coro dos levitas, a sinagoga possuía um líder honorário elegido, que era responsável pela essência do culto da sinagoga, a leitura contínua do Pentateuco em ciclo anual e algumas orações fixas — Baal Koreh ou Baal Keriah, "mestre de leitura". Como medida de contra-formalismo, os rabis proibiram a escrita das orações; todavia, por volta do século II d.C. as orações mais importantes já se encontravam fixas. Todos os textos deveriam ser memorizados pelos mestres de leitura. Estes deverão ter usado artifícios musicais, tais como instrumentos mnemónicos, para a memorização de orações de fé, louvor, graças e súplicas.
As orações mais antigas eram cantadas salmodicamente, de acordo com a estrutura da poesia hebraica, em meios-versos paralelos. Em função da aculturação dos diversos grupos judeus em diferentes áreas, pouco sobreviveu dos modos originais das orações; os presentes tons sefárdicos e orientais originaram provavelmente na Babilónia, no século VIII, e a presente tradição askenazy terá origem nos séculos XIV e XV, na Europa Central. A tradição yemenita, rígida e relativamente estática, é mais antiga que as outras duas mas muito mais austera em estilo e forma: a sua cantilena é plana, a sua salmodia restrita a poucas fórmulas, os seus modos de oração principalmente penitenciais e o seu cântico melismático tanto monótono quanto intrincado.
As orações memorizadas eram cantadas salmodicamente, enquanto as Sagradas Escrituras tinham de ser recitadas duma determinada maneira estipulada pela tradição oral. Recitar a Escritura sem cantar era considerado um sacrilégio.
As regras talmúdicas demonstram que esta cantilena era governada por um corpo de instruções oralmente transmitidas a partir do séc. IV d. C. A partir do século VI um sistema de sinais escritos governou a interpretação das frases, das acentuações das palavras e do subir e baixar da voz; somente algum tempo depois eles viriam a adquirir conotações musicais.
Excerto do trabalho realizado por
Bárbara Neto e Tomás Costa
da disciplina de História da Música, leccionada
pelo Prof. Doutor Rui Cabral Lopes
na Academia Nacional Superior de Orquestra
Na Bíblia há uma evidente presença de canções populares aparte dos salmos e cânticos cuidadosamente construídos. Algumas são aclamações populares, como "amem", "aleluia", "hossana", que eram cantadas no Templo. Outros exemplos encontram-se nos versículos Salmos 21 17-18; Reis 1 12:16, ou Jeremias 9:19-20. Muitas destas canções possuem um número igual de sílabas em cada meio-verso, e podem ter sido cantadas em ritmo de acordo com as acentuações do texto hebraico. Um bom exemplo é o enigma de Sansão (Juízes 13:14). Do comedor saiu comida... (no original em Hebraico, 3 acentos, 8 sílabas) ...e do forte saiu doçura. (3 acentos, 7 sílabas).
A Salmodia no Templo
Segundo o Talmude a salmodia simples, exemplificada em Êxodo 15, era usada para os três festivais de peregrinação da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos, um canto de louvor mais exuberante (melismático) (halila), era usado para os grandes feriado, a salmodia silábica era considerada apropriada para o estudo da Lei e para orações simples individuais e cada tipo de melodia possui um "temperamento" (taam) e altura (hagba qol) próprios, que devem ser respeitados.
Os Salmos
De acordo com a teoria moderna, os salmistas eram poetas-músicos profissionais do Templo. Nos salmos, assim como em toda a antiga poesia semítica, cada verso é dividido em duas partes que se ecoam uma à outra, em rimas de pensamento, num mecanismo conhecido como "parallelismus membrorum". Esta estrutura sugere um cântico em antifonia, ou responsorial, podendo-se distinguir quatro tipos principais: salmodia plana (salmo 46), salmodia responsorial (salmo 67), salmodia antifonal (salmo 102: 20-22) e litanias com refrões (salmo 80, com refrão nos versos 3, 7, 19). Estas estruturas eram recorrentes nos serviços do Templo e sinagoga e, mais tarde, na igreja Cristã. Aparte os salmos, há um número de hinos bíblicos (heróicos ou de louvor) que possuem a mesma estrutura dos salmos. Estes foram retirados das Escrituras ainda antes do cânon do Antigo Testamento ter sido estabelecido. Exemplo são a canção de Débora (Juízes 5), a canção de travessia do Mar Vermelho (Êxodo 15, 1-18) e a Canção de Moisés (Deuteronómio 22. 1-43).
A salmodia antifonal de versos alternados entre dois coros era rematada por uma conclusão chamada Odeka, que consistia na repetição dos mesmos versos. Esta estrutura era utilizada pelo menos deste o século terceiro.
A improvisação no Templo
A improvisação parece não ter desempenhado um papel importante na música vocal do Templo, apesar da sua estrutura musical ser polirítmica. Pouco canto a solo era praticado; o treino rígido dos levitas, conforme descrito por Josefo e fontes rabínicas (cinco anos de aprendizagem precedendo a admissão no coro) deixava pouco espaço para a improvisação espontânea, tendo ainda em conta que grandes salmos e cânticos não poderiam ser cantados em conjunto sem muita repetição musical. Neste aspecto, a música do templo deve ter sido bastante atípica em relação à música do Oriente Médio, na qual a improvisação é geralmente indispensável.
A estrutura da melodia no Templo
A estrutura da melodia do Templo aparenta uma construção sobre tetracordes, e não, como se chegou a assumir, pentatónica; os elementos pentatónicos nos cantos das sinagogas, presentes somente nas orações diárias, as quais foram simplificadas através de séculos de repetição, resultaram da eliminação de notas das antigas melodias de tetracordes. A estrutura melódica era, muito provavelmente, modal.
O acompanhamento instrumental no Templo
O acompanhamento instrumental era provavelmente heterofónico — isto é, meramente duplicando a linha melódica com a possibilidade de alguns embelezamentos melismáticos. Os instrumentos interpretavam partes independentes somente para sinalização: o sacrifício matinal e a prostração dos adoradores eram acompanhados por clamores de trompetes, enquanto os címbalos marcavam o início do canto dos levitas.
A Música nas Sinagogas
A Origem das Sinagogas
A herança natural da salmodia levítica do Templo constituiu o núcleo ao redor do qual o canto da sinagoga se desenvolveu.
A sinagoga, enquanto instituição permanente, tem provavelmente origem no período do cativeiro Babilónico, quando se tornou necessário ter um lugar para adoração e instrução comum no exílio. Após o regresso do Cativeiro, quando a vida religiosa foi reorganizada, especialmente sob a jurisdição de Esdras e seus sucessores, a adoração congregacional, constituída por orações e leituras de secções da Bíblia, desenvolveu-se lado a lado com o reavivamento do culto do Templo em Jerusalém, o que levou à construção de sinagogas.
A sinagoga estava nas mãos dos rabis fariseus, funcionando de maneira mais democrática do que hierárquica, independente de líderes hereditários (saduceus, responsáveis pelo culto no Templo). Não dispunha de qualquer culto sacrificial. Os serviços do Templo eram primariamente acções sagradas, com o sacrifício como principal (ainda que não único) constituinte da adoração. Os serviços na sinagoga, por outro lado, eram dedicados principalmente à récita dos textos sagrados, sendo esta centrada na recitação pública do Pentateuco e outras secções do Antigo Testamento, de maneira ordenada.
A Música Instrumental nas Sinagogas
A música mais antiga praticada na sinagoga foi fundada sobre o mesmo sistema e método prevalecente na orquestra do próprio Templo. Joshua ben Hananiah, que serviu no santuário como membro do coro levítico, disse como os coristas iam em conjunto para a sinagoga vindos da orquestra sob o altar, e assim participavam nos dois serviços. No entanto, após a destruição do Templo, toda a música instrumental, aparte o toque do Shofar, foi excluída do serviço religioso, por um lado devido à hostilidade dos fariseus a tal música, e por outro lado devido ao luto pela terra e pelo Templo destruídos, assim como pelo desaparecimento das funções levíticas, incluindo a provisão de música para o santuário. De acordo com a hierarquia do Templo, os rabis não possuíam nenhuma autoridade sobre o ritual do santuário. Com a sua destruição, assistiu-se a uma época de florescimento do lado dos rabis. Durante os próximos cinco ou seis séculos, os rabis viriam a tecer uma rede de argumentos legais variados (e nem sempre convincentes) a favor da proibição do uso de todos os instrumentos musicais. Esta exclusão dos instrumentos da adoração judaica permaneceu forte por muitos séculos; apenas após a perda de poder político dos rabis, no século XIX, puderam os instrumentos reaparecer na sinagoga (liberal). Não obstante, a política de exclusão permanece em força onde os rabis ortodoxos detêm maior poder, tal como no actual estado de Israel.
A ausência de instrumentos na sinagoga não modificou o sistema das melodias em si mesmas. Estas, segundo ouvidos contemporâneos, eram pouco dignas do próprio termo "melodia", sendo, como as melodias gregas que foram decifradas, inteiramente do carácter de cantilena; ou seja, a récita dependente do ritmo e sequência das palavras do texto ao invés das notas musicais , influenciada pela estrutura sintática da frase ao invés da forma métrica da melodia.
A Cantilena das Escrituras
Ao invés do coro dos levitas, a sinagoga possuía um líder honorário elegido, que era responsável pela essência do culto da sinagoga, a leitura contínua do Pentateuco em ciclo anual e algumas orações fixas — Baal Koreh ou Baal Keriah, "mestre de leitura". Como medida de contra-formalismo, os rabis proibiram a escrita das orações; todavia, por volta do século II d.C. as orações mais importantes já se encontravam fixas. Todos os textos deveriam ser memorizados pelos mestres de leitura. Estes deverão ter usado artifícios musicais, tais como instrumentos mnemónicos, para a memorização de orações de fé, louvor, graças e súplicas.
As orações mais antigas eram cantadas salmodicamente, de acordo com a estrutura da poesia hebraica, em meios-versos paralelos. Em função da aculturação dos diversos grupos judeus em diferentes áreas, pouco sobreviveu dos modos originais das orações; os presentes tons sefárdicos e orientais originaram provavelmente na Babilónia, no século VIII, e a presente tradição askenazy terá origem nos séculos XIV e XV, na Europa Central. A tradição yemenita, rígida e relativamente estática, é mais antiga que as outras duas mas muito mais austera em estilo e forma: a sua cantilena é plana, a sua salmodia restrita a poucas fórmulas, os seus modos de oração principalmente penitenciais e o seu cântico melismático tanto monótono quanto intrincado.
As orações memorizadas eram cantadas salmodicamente, enquanto as Sagradas Escrituras tinham de ser recitadas duma determinada maneira estipulada pela tradição oral. Recitar a Escritura sem cantar era considerado um sacrilégio.
As regras talmúdicas demonstram que esta cantilena era governada por um corpo de instruções oralmente transmitidas a partir do séc. IV d. C. A partir do século VI um sistema de sinais escritos governou a interpretação das frases, das acentuações das palavras e do subir e baixar da voz; somente algum tempo depois eles viriam a adquirir conotações musicais.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Tehillah em participações especiais
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